sexta-feira, 5 de abril de 2013

O dia que quase incendiei a casa...

imagem Google
 Minha infância não foi fácil e minha adolescência pior, graças a Deus cheguei ilesa na maturidade....mas não estou aqui pra ficar fazendo chororo não se preocupe.... na verdade quero compartilhar com vocês uma lembrança de infância e quem sabe rirmos juntos.

Tempos atrás eu li uma matéria no blog da Elaine Gaspareto (clique no nome pra ler a matéria que me referi) e ela me atiçou a memória e me levou pra épocas que praticamente deletei quase tudo, mas essa experiencia ainda vou contar pros meus netos um dia....

Quem aqui da minha geração não se lembra do Sitio do Pica Pau Amarelo??? Com certeza todos devem lembrar, pois era muito bom, nada comparado aos programas infantis de hoje em dia que é computadorizado, naquela época era diferente, mas isso é assunto pra outro dia.

Pois bem, eu devia ter uns 5 pra 6 anos na época e morava com minha mãe, era apenas ela e eu e Deus pra nos guardar, como disse foi uma época difícil, minha mãe tinha de trabalhar e eu ficava sozinha em casa. Antes de sair ela deixava meu café pronto era só eu esquentar, sim eu mexia com fogo, então quando acordava a primeira coisa que fazia era ligar a TV pra assistir  o meu programa favorito, com todas as histórias de aventuras, príncipes e princesas minha imaginação voava, queria estar lá e viver tudo aquilo com a Emília, eu acendia o fogão pra requentar meu café e fritar um ovo pra comer com pão, até hoje eu amo ovo com pão, e enquanto o fogo fazia seu serviço eu sentei no sofá pra prestar atenção em mais uma aventura daquela turminha e de repente escuto minha vizinha entrando com um balde d'água e jogando em cima do fogão, foi um "forféu" dos grandes, não sei por quanto tempo eu me desliguei da realidade, porque o bule de café virou carvão assim como a frigideira e chegou a fazer uma labareda que lambeu o teto e deixou a marca preta pra eu nunca mais esquecer o fogo ligado.

Naquele dia aconteceram duas grandes coisas, a primeira foi que por pouco eu não pus fogo na casinha de madeira que morávamos e morria ali mesmo e hoje você não ia ter o prazer de me conhecer rsrsrs... e a outra foi que levei a maior surra da minha pequena vida, por ter sido tão descuidada..... sim eu apanhei e ainda levei bronca porque aquele era o único bule de café que nós tínhamos...rsrsrs

Hoje quando lembro e conto pras pessoas eu rio, minha mãe comentou anos atrás que ela se arrepende de ter me dado uma surra. Mas eu não a culpo, entendo que na verdade ela não soube o que fazer na inexperiência dela na época e no desespero de chegar em casa depois de sabe-se lá quando tempo fora trabalhando, chegar em casa e a ver  no estado que estava...e ainda imaginando que eu podia estar machucada ou coisa pior.

Eu tenho duas memórias boas e uma ruim daquela época que morávamos num terreno com sei lá quantas casas juntas.

Lembro de uma família que morava ao lado e eles eram baianos e eu amava ir comer na casa deles, porque eles não tinham o habito de usar talheres, eles comiam com as mãos, lembro que a gente pegava uma colher de farinha e colocava no prato de feijão   e com a mão fazíamos bolinhos e comíamos com as mãos mesmo, a colher era só pra por a comida no prato, pra mim aquilo era diversão pura. E a outra memória boa foi essa do fogaréu da casa, porque hoje posso enxergar que Deus já cuidava de mim naquela época e apesar de eu ter vivido momentos que nenhuma criança deveria ter vivido, eu me sinto agradecida a Deus pelo livramento daquela manhã. Senão não teria a família que tenho hoje, não teria conhecido pessoas que passaram pela minha vida de forma tremenda, não teria vivido muita coisa boa que vivi depois de adulta.

É engraçado porque quando tento puxar outras memórias, parece que não aconteceram, tenho vagas lembranças, mas nenhuma tão clara quanto estas, se eu fechar os olhos consigo me ver sentada de cócoras junto daquela família no quintal comendo aquele angu, (acho que era esse o nome do prato que comíamos com a mão) e do balde d'agua sendo jogado no fogão.

Na época minha mãe e eu só tínhamos incertezas e vivíamos um dia de cada vez...e hoje olho pra trás e agradeço a Deus, pois reconheço a mão d'Ele nos protegendo, mesmo nós sendo ignorantes da presença d'Ele nas nossas vidas.

A memória ruim? Deixa quieto, não vale a pena contar...

"Não importa o que se viveu, se foram momentos bons ou ruins,  que importa é o que fazemos com nossas vidas agora." by Mara Oliveira